segunda-feira, 7 de março de 2011

Leve.

Durante a chuva de hoje morreu o pé de hortelã. Eu matei. Com as próprias mãos. Nas raízes achei muitas formigas e seus ninhos; algumas aranhas e algo que parecia uma mistura de joaninha com maria-fedida. Um pouco de veneno, detergente, água de torneira e água de chuva. Nada que algumas chineladas não resolvessem também. Uma colher de firme plástico para revolver a terra. Sacos de lixo repletos de raízes que alimentavam insetos. Salvei o manjericão e a pimenta dedo-de-moça, o alecrim dourado e dois pés de flor. O jardim está limpo, o corpo molhado de chuva e a alma lavada com os três elementos. Fiz brigadeiro no fogo! Comi com banana. E passei óleo de banho na pele.


Chove e parece frio.
Parece (per)feito pra mim.


"Quem quiser ser livre, que aguente a insegurança da liberdade." (lfp)



Deixe a vida levar.
Deixe leve.


"O Senhor é meu pastor e nada me faltará" (Salmo 23)

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O dia em que casei... comigo!

Não havia maquiagem pesada nem sapatos. Os pés descalços, lisos e esmaltados de rosa no chão frio da calçada. Ventava um pouco, não era frio nem calor. Era fresco. Não havia buquê. Uma brisa boa, dessas que confortam a pele. Na pequena capela, convidados desconhecidos. A maioria vestida de branco, do lado direito. Outros, com roupas bordadas de flores, sentados nos bancos do lado esquerdo da capela. Roupas de algodão, faces desconhecidas, expressões indiferentes - olhando para frente e para o alto. No altar, o padre entrava devagar, e eu de noiva olhava o movimento das pessoas chegando lá dentro. Chegou o momento de entrar pelo corredor revestido com flores, e que me encaminharia até o altar coberto por tecidos brancos. Ao meu lado, um senhor com seus pelos da cabeça calva todos brancos. Ele olhou pra mim e se negou a entrar comigo. Logo um rapaz todo de cinza, todo de alfaiataria, um longilíneo desconhecido com topete preto anos 50, me pegou pelas mãos e me puxou para dentro capela, apressado. Marcha nupcial. Não era muito bonito o som, e tão clichê! Quem teria escolhido? E eu pensava: "Mas noiva entra devagar". Com os pés segurava meu corpo para não ser arrastada. Lá no altar ele não estava, o noivo. Mesmo assim eu continuei, serena e calma, diante do inevitável. Assim que o rapaz de cinza viu que eu percebi a situação, largou minha mão e me deixou prosseguir, sem olhar para trás. Subi as escadas. De longe eu me vi dizendo sim para mim mesma, diante do padre bem vestido. Já na porta da igreja, pensei: "Ele deve estar nos fundos da capela, o noivo, preciso ver". Lá encontrei uma edícula, dessas onde acontecem as escolas dominicais; um carro tipo monza cor de vinho, quatro portas, dois rapazes na frente e ele, o noivo, no banco de trás, roupas comuns cor de musgo. Estava bem bêbado, com aquela expressão de "foda-se o mundo". Agachei como uma gueixa na porta esquerda do banco de trás, o vestido tão branco arrastava no chão de pedrinhas chumbo que meus pés nem sentiam. Olhei em seus olhos, respirei o seu cheiro, reparei sua barba, e disse, em tom severo e controlado:
" - Você continua bêbado? "
" - Continuo. E vou embora. "
Um bêbado quieto, carrancudo pra mim. Levantei; o carro se foi levantando leve poeira. Comecei a andar, e de repente me vi dentro de um jardim com muitas árvores! Respirando fundo o inevitável.

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Acordei!  Pensei:
"Que bom que é domingo, vai dar pra dormir mais."

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Fui procurar uma imagem, achei uma notícia.

Noiva sequestrada consegue voltar para a igreja!
http://coletivo.maiscomunidade.com/conteudo/2011-02-11/nacional/2269/NOIVA-%C3%83%E2%80%B0-SEQUESTRADA,-MAS-CONSEGUE-VOLTAR-PARA-IGREJA.pnhtml


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Curiosidade: você sabe o que é gamofobia?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Tudo tem história! #amigos

Estava na Liberdade, meados de 2009, em São Paulo, procurando restaurante japonês para distrair o estômago. Ao meu lado um amado amigo, que foi embora em 2009. A blusa de onça foi ele quem escolheu, quando em uma loja perguntei:
"- A preta ou essa?"
"- Essa!"

domingo, 30 de janeiro de 2011

vontade de escrever 01:
- se eu terminei de ler "INVEJA", de Zuenir Ventura? Quase! De birra não terminei. Apesar do miolo do livro ser esclarecedor sobre o tema, o final dele consegue ser mais lento que o começo, e não dá vontade de continuar. Por disciplina terminarei de ler antes de devolver à biblioteca. Enquanto isso estou na metade da leitura do romance "A Senhora das Especiarias", de Chitra Divakaruni, que não acelero em seu final por estar gostando demais da companhia de Tilo. E ganhei emprestado "O Mestre dos Mestres - Jesus, o maior educador da história", de Augusto Cury. Este tem sido conversado, discutido... e praticado.

vontade de escrever 02:
- eu estou com saudade de um monte de gente legal, gente legal de conviver e de conversar. tenho vontade de reunir todo/as de uma vez, em um banquete farto para celebrar a vida. se sentam na mesa meus fantasmas, pq não meus personagens? convidaria os que sabem cozinhar, os que sabem fazer caipirinha, os que sabem pensar, o/as fofoqueiro/as, e até os que gostam de dançar. convidaria intelectuais, idosos, desenhistas, jovens tímidos, escritores de toda sorte, sábios profetas de futuros possíveis, zen mulheres, os malucos, dois ou três moralistas, calados que falam com os olhos, deprimidos, desconfiados, nostálgicos, animados, uns dois fotógrafos, uns vinte jornalistas, meus professores, amigo/as vaidoso/as, ricos e pobres, e também os que amam as lutas marciais, a vida saudável, a vontade de viver. vegetarianos, carnívoros e alguns especiais. gênios incompreendidos, gente que acha que sabe demais, gente que acha que sabe de menos. dentro do meu coração seria um dia de sol-risos direto para meu espírito! de alguma forma, ao lembrar do que não aconteceu, ainda o é.


boa tarde!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

palavras quase soltas e os sete pecados capitais

Muitos sentimentos pecaminosos tentam ocultar a face, algumas vezes sem conseguir, principalmente a inveja, pecado que está descrito no livro "O Mal Secreto", de Zuenir Ventura. Com seu livro sobre o pecado mais "praticado" no Brasil (tem pesquisa e tudo!), Zuenir tem me feito companhia por esses dias.  Por algumas boas horas fiquei entretida nas palavras todas, nos dados amarradinhos, nos números e estatísticas, nas confissões, nas descobertas! Quantas! A coleção inteira deve ser um deleite...

Luis Fernando Veríssimo tomou conta da Gula, em "O Clube dos Anjos". Esse eu devorei, e foi o primeiro, há muito tempo. Depois veio a Luxúria, libidinosamente descrita pelo João Ubaldo Ribeiro em "A Casa dos Budas Ditosos" e lida por muita gente, tanto que virou peça de teatro com direito a Fernanda Torres, filha de Fernanda Montenegro. Não sei se ainda está em cartaz, mas se um dia eu tiver a chance de ver esta peça, prometo pra mim que não perco!


*Lembrando que João Ubaldo é pai do Bento Ribeiro, que apresenta o Furo MTV ao lado da Dani Calabresa, esposa do Marcelo Adnet.

É óbvio que recomendo a leitura dos livros, e de lambuja indico o programa da MTV! Nem que seja pra ficar de queixo caído com a agilidade da Calabresa.



Quando eu terminar de ler "O Mal Secreto"... eu volto!



Print with Othello, Iago and Desdemona from Shakespeare's Othello

A print depicting Othello, Act I, Scene III.
IMAGE: © Historical Picture Archive/CORBIS
DATE CREATED - 19th century
PHOTOGRAPHER: Philip de Bay
COLLECTION: Historical Picture Library