domingo, 13 de fevereiro de 2011

O dia em que casei... comigo!

Não havia maquiagem pesada nem sapatos. Os pés descalços, lisos e esmaltados de rosa no chão frio da calçada. Ventava um pouco, não era frio nem calor. Era fresco. Não havia buquê. Uma brisa boa, dessas que confortam a pele. Na pequena capela, convidados desconhecidos. A maioria vestida de branco, do lado direito. Outros, com roupas bordadas de flores, sentados nos bancos do lado esquerdo da capela. Roupas de algodão, faces desconhecidas, expressões indiferentes - olhando para frente e para o alto. No altar, o padre entrava devagar, e eu de noiva olhava o movimento das pessoas chegando lá dentro. Chegou o momento de entrar pelo corredor revestido com flores, e que me encaminharia até o altar coberto por tecidos brancos. Ao meu lado, um senhor com seus pelos da cabeça calva todos brancos. Ele olhou pra mim e se negou a entrar comigo. Logo um rapaz todo de cinza, todo de alfaiataria, um longilíneo desconhecido com topete preto anos 50, me pegou pelas mãos e me puxou para dentro capela, apressado. Marcha nupcial. Não era muito bonito o som, e tão clichê! Quem teria escolhido? E eu pensava: "Mas noiva entra devagar". Com os pés segurava meu corpo para não ser arrastada. Lá no altar ele não estava, o noivo. Mesmo assim eu continuei, serena e calma, diante do inevitável. Assim que o rapaz de cinza viu que eu percebi a situação, largou minha mão e me deixou prosseguir, sem olhar para trás. Subi as escadas. De longe eu me vi dizendo sim para mim mesma, diante do padre bem vestido. Já na porta da igreja, pensei: "Ele deve estar nos fundos da capela, o noivo, preciso ver". Lá encontrei uma edícula, dessas onde acontecem as escolas dominicais; um carro tipo monza cor de vinho, quatro portas, dois rapazes na frente e ele, o noivo, no banco de trás, roupas comuns cor de musgo. Estava bem bêbado, com aquela expressão de "foda-se o mundo". Agachei como uma gueixa na porta esquerda do banco de trás, o vestido tão branco arrastava no chão de pedrinhas chumbo que meus pés nem sentiam. Olhei em seus olhos, respirei o seu cheiro, reparei sua barba, e disse, em tom severo e controlado:
" - Você continua bêbado? "
" - Continuo. E vou embora. "
Um bêbado quieto, carrancudo pra mim. Levantei; o carro se foi levantando leve poeira. Comecei a andar, e de repente me vi dentro de um jardim com muitas árvores! Respirando fundo o inevitável.

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Acordei!  Pensei:
"Que bom que é domingo, vai dar pra dormir mais."

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Fui procurar uma imagem, achei uma notícia.

Noiva sequestrada consegue voltar para a igreja!
http://coletivo.maiscomunidade.com/conteudo/2011-02-11/nacional/2269/NOIVA-%C3%83%E2%80%B0-SEQUESTRADA,-MAS-CONSEGUE-VOLTAR-PARA-IGREJA.pnhtml


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Curiosidade: você sabe o que é gamofobia?

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